AMOR DE UM DIA
Amor de um dia! deixa que eu consagre
a ti, também, um pouco deste enlevo,
de que rebentam, como por milagre,
apaixona, dos versos, quando escrevo.
Nem beijos nem a esponja de vinagre
tive do teu afeto sem relevo.
E, mesmo assim, é justo que eu te sagre
a ilusão de um momento, que te devo.
Há glória e sonho, às vezes, num minuto.
O teu perfume de esquisito fruto
infiltrou-se-me na alma, de repente.
Passaste logo... Mas quem sabe, ao certo,
se eras tu, ó miragem do deserto,
aquela que eu procuro, inutilmente?