BALADA DO ENFORCADO
Ao sair, feliz, à noite, da casa da noiva, o jovem foi
alcançado pelo laço que lhe atiraram de um caminhão
em disparada (Dos jornais da época).
A noite era bela e estrelada.
Não havia somente estrelas na noite:
havia ternura e encantamento.
No seu enlevo de enamorado,
despregou se da terra — e criou asas.
Sentiu, em toda a plenitude,
a poesia da noite rutilante.
Sonhou integrar se na harmonia profunda
do universo estelar.
E falou aos homens como a irmãos,
evangelicamente.
A noite estava semeada de bondade e amor.
Mas no coração dos homens
só, havia ódio,
maldade
e negror.
O laço
que veio
rodando
no espaço
pareceu-lhe um abraço
da noite radiosa,
misericordiosa.
Mas o laço
que girava
no espaço,
trágico e forte,
era o laço da Morte
— o abraço da Morte...