O MÁGICO
Sob o clarão da lâmpada,
pensa o Poeta... Em seu cérebro
ulula, geme e agita-se
a angústia, a dor do século.
Em tão reduzido âmbito
mãos crispam-se, almas partem-se.
O mundo, o mundo trágico.
aí ferve em sangue e lágrimas.
Remoinham libélulas,
dragões, panteras, lírios,
no exíguo receptáculo.
Indiferente, a lâmpada
— indiferente e irônica —
banha de luz o mágico.