SONETO DE UMA NOITE DE NATAL
Enquanto a noite vem baixando a medo
sobre os casais humildes, sobre os campos,
sonhos sobem da terra aos céus imensos
por uma escada de ânsias e de zelos.
Sonhos azuis da humanidade... Crenças,
votos, clamores, súplicas e apelos!
Agora, fulge todo o espaço — cheio
de astros que resplandecem como bênçãos.
Descem consolações de cada estrela
que arde e corusca no âmago da noite.
São vaga lumes em sombria tela...
O espírito se arroja no Infinito.
Oh! Grande Deus, como é pequena a noite
para a misericórdia sem limites!