PÁSSARO MORTO
À memória de Antônio Sales
Quando um pássaro morre na floresta,
há luto e dor nas árvores imensas,
em cujas frondes vírides, suspensas,
andava sempre uma canção de festa.
Qual pássaro, cantaste as tuas crenças
em claro estilo ou em linguagem lesta.
Mas a morte extinguiu, fria e funesta,
da tua voz as vibrações intensas.
Emudeceste, poeta, em plena glória.
Da ave que tomba, após mágoas e prantos,
não resta, ao menos, pálida memória.
Deste silêncio a história te redime.
Porque ao Futuro – teus eternos Cantos
dirão teu nome, pássaro sublime!