SONETO DAS BODAS
A meus pais, no cinqüentenário do seu casamento.
Eu peço à Musa inspiração mais alta,
ritmo mais amplo, verso mais sonoro,
para dizer vos quanto vos adoro
e quanto, em vosso ser, meu ser se exalta!
Nem a ternura lírica me falta
ao coração de pássaro canoro:
porque teu beijo, ó Mãe — santa a quem oro,
de luz e amor minha existência esmalta.
Não me falta a verdade nobre e reta,
nem a desambição, nem a prudência,
com que integras, meu Pai, a alma do poeta.
Possuímos, meus irmãos, áureo tesouro!
Nele percebo, em mágica vidência,
toda a grandeza destas bodas de ouro!